Editorial

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Rogai por nós!
O PR decretou estado de emergência. As populações, ainda que de forma titubeante, vão encaixando as mensagens de prevenção de contágio da covid- 19, esse mal que vem dilacerando o mundo a cada minuto que passa.
Os relatos falam de números temerários capazes de deixar qualquer bípede em pânico. Em Moçambique, depois dos primeiros dias de tensão e incerteza, o demónio chegou e as medidas de prevenção não demoraram a entrar em vigor. Todos estamos em casa em quarentena obrigatória. Maldita covid-19!
Por estas alturas em que o destino está nas mãos de Deus, nada nos resta do que rezar para que o Majestoso faça milagres e acordemos no dia seguinte com o mundo de novo na alta-roda. Cá na terra, os bispos de algumas assembleias religiosas e outros filantropos que se apregoam senhores de milagres, não dizem absolutamente nada, e uns até em período difícil como este, se dão ao luxo de abrir contas para depósito do sempre apetecível dízimo.
Dura realidade para o bolso dos crentes que devem, também por outro lado, poupar para aguentar com os trinta dias de confinamento social.
No meio desta praga, e como se ela de per si não fosse suficiente para criar dor na terra, os nossos anjos da guarda, com o defeito de voar sempre que os queremos apanhar, deixam-nos ao critério dos diabos do açambarcamento, obrigando o cidadão a fazer ginástica financeira no sentido de suportar a já incaracterística situação de pesar social influenciada pelo covid-19.
O sector responsável por controlar este mal, apresenta-se de um autêntico buraco na forma de agir e contornar a onda de especulação, causando no seio das massas um ambiente de indignação perante tamanha impotência ou, se quisermos, perante um alinhamento com este tipo de abuso. Pai nosso que estais no céu, santificado seja o teu nome. Venha até nós o vosso reino de forma a darmos a volta a este mal que assola o mundo.
A covid-19. Pai Santo rogai por nós pecadores. Vem aí dias difíceis em que milhares de pessoas poderão morrer. O Governo tenta fazer de tudo para minorar a propagação e como dizíamos no início, as populações aos poucos vão percebendo a mensagem. Mas ainda existem focos de renitência.
Renitência que vai obrigar o Estado a assumir o seu poder, usando a força para estabilizar os momentos de tensão. Os populares reclamam sair a rua para exercer as suas habituais negociatas para alimentar os seus agregados familiares, não conjugando que em quarentena não haverá negócio algum.
Seria o mesmo que vender frigoríficos nos pólos. Com a mobilidade humana incarnada no regresso de nossos irmãos da vizinha África do Sul, país largamente infectado pelo novo corona vírus, o espectro de contágio passou a ser uma realidade, e este pode vir a ser o ponto fraco para a disseminação da doença.
Face a este quadro desolador e deveras preocupante, temos que desde já juntar sinergias desde as instituições do Estado, acompanhadas pelos seus parceiros internacionais, despertando cedo para enfrentar um fenómeno que ameaça exterminar o globo.
A declaração governamental de que as autoridades estão de prevenção, é já um grande passo e comprova o compromisso do Executivo e de todos os moçambicanos ao lado de uma forte campanha de sensibilização, em que os meios de comunicação social estão a desempenhar. Tratando-se de uma doença ainda sem cura e cujo combate seguro passa pela prevenção, temos que potenciar as contínuas campanhas de esclarecimentos e sensibilização, educação e adopção de comportamentos responsáveis. Deus todo-poderoso, rogai por nós!

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