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Human Rights Watch condena aprovação de nova lei de amnistia em Moçambique

Human Rights Watch condena aprovação de nova lei de amnistia em Moçambique

 

A organização Human Rights Watch (HRW) condenou ontem a lei de amnistia para crimes das forças de segurança e da Renamo, aprovada na segunda-feira pelo parlamento de Moçambique, considerando que promove a impunidade e abre caminho a abusos futuros.

“A lei de amnistia aprovada esta semana é uma traição aos milhares de vítimas dos conflitos em Moçambique. O parlamento ignorou famílias que esperam há muito por justiça, apoio e compensações por parte do Estado. Infelizmente, esta lei fará mais do que garantir impunidade para crimes graves do passado, irá provavelmente abrir o caminho a futuros abusos”, considerou o director da HRW para o Sul de África, Dewa Mavhinga.

O parlamento de Moçambique aprovou, na segunda-feira, uma lei de amnistia geral que isenta de acusação os membros das forças governamentais e dos combatentes do maior partido da oposição Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) por crimes cometidos entre 2014 e 2018.

A organização de defesa dos direitos humanos lembra que durante este período as duas partes estiveram envolvidas em combates esporádicos que resultaram em abusos sérios, incluindo desaparecimentos forçados, tortura, mortes e destruição da propriedade privada.

Em 2018, a HRW documentou todo este período no relatório “The Next One to Die” (O próximo a morrer, em tradução livre).

A aprovação da legislação foi justificada com a necessidade de restaurar a confiança entre as duas partes, promover a estabilidade e assegurar uma paz efetiva e duradoura no país.

“Mas, o que a história de Moçambique mostra é que amnistias para crimes graves apenas negam justiça às vítimas e potenciam abusos futuros”, defendeu Dewa Mavhinga.

A HRW aponta que esta é a quarta lei da amnistia em Moçambique depois das de 1987, 1992 e 2014.

“Nenhuma trouxe estabilidade política ou paz duradoura e nenhuma acabou com os abusos de direitos humanos que alimentam o conflito”, acrescentou aquele responsável.

Por exemplo, apontou a HRW, quando a amnistia de 2014 falhou, as violações recomeçaram num clima de impunidade.

“Mulheres da província de Sofala disseram-nos que os maridos desapareceram em Abril de 2016 depois de a polícia os ter acusado de serem apoiantes da Renamo. Registámos muitos outros casos de pessoas desaparecidas em circunstâncias semelhantes”, adiantou.

A HRW admite que, desde o cessar-fogo de Dezembro de 2016, as hostilidades e os abusos de direitos humanos relacionados com o conflito pararam, mas apontou que o Governo não cumpriu as obrigações internacionais de responsabilizar os autores dos abusos.

“Tão pouco foi estabelecida uma base nacional de pessoas desaparecidas para ajudar a localizar aqueles que foram presos, mortos ou vítimas de desaparecimentos forçados”, disse.

O parlamento moçambicano aprovou a Lei de Amnistia na segunda-feira para crimes contra a segurança do Estado cometidos no âmbito dos confrontos entre a Renamo e as Forças de Defesa e Segurança (FDS) nos últimos cinco anos.

A lei foi adotada por consenso pelas três bancadas da Assembleia da República e resulta de uma proposta do chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, como um impulso para o sucesso das negociações entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) visando a instauração de uma paz definitiva no país. (Lusa)

 

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