COVID-19: FMI diz que já recebeu pedidos de ajuda de 20 países africanos

COVID-19: FMI diz que já recebeu pedidos de ajuda de 20 países africanos

O director do departamento africano do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse, quinta-feira (26/03), que 20 países do continente pediram assistência financeira imediata, acrescentando que «mais 10 devem solicitar ajuda para combater a pandemia do Covid-19».
«Até agora, recebemos pedidos de financiamento de emergência de cerca de 20 países, com a expectativa de receber em breve pedidos de ajuda de outros 10 países ou mais», escreveu Abebe Aemro Selassie, num artigo de opinião publicado em conjunto com a assessora Karen Ongley no ‘blogue’ do FMI.
No texto refere-se que os primeiros acordos financeiros deverão estar assinados no princípio de abril.
«O que começou como uma crise de saúde pública é hoje uma crise económica mundial de grandes proporções, e o nosso receio é que os países africanos sejam duramente atingidos», lê-se no texto, que alerta que as condições dos países africanos são hoje muito diferentes das circunstâncias com que enfrentaram a anterior recessão mundial, em 2019.
«Há 10 anos, a região foi poupada à pior da crise financeira mundial, com níveis reduzidos de endividamento, a maioria dos países tinha espaço para elevar os gastos e conseguiu implementar medidas de política anticíclicas», lembram, apontando que «os países estavam também menos integrados aos mercados financeiros internacionais e, por isso, a interrupção do financiamento afetou apenas um pequeno número deles».
Atualmente, alertam, o panorama é bastante diferente: «Nenhuma dessas condições se aplica à situação atual, já que muitas economias subsaarianas têm margem limitada nos seus orçamentos para elevar os gastos, e são mais dependentes dos mercados internacionais de capitais».
Além das dificuldades de implementar as medidas de isolamento social, como por exemplo trabalhar a partir de casa, para impedir o avanço do novo Coronavírus, a pandemia terá «um efeito económico substancial na África subsaariana», essencialmente por três razões.
«Primeiro, as próprias medidas que são críticas para conter a propagação do vírus terão custos diretos para as economias locais, já que vão implicar menos trabalho remunerado, menos renda, menos gastos e menos emprego».
Em segundo lugar, as adversidades à escala mundial terão repercussões na região: «A desaceleração nas grandes economias provocará uma queda na procura internacional, levando a interrupções na produção e nas cadeias de suprimento globais, que terão um impacto maior sobre o comércio».
Por último, elencam, «o forte declínio dos preços das matérias-primas atingirá duramente os exportadores de petróleo, agravando os dois primeiros efeitos e motivando um impacto considerável», com as estimativas do FMI a apontarem para que cada recuo de 10% nos preços resulte, em média, numa redução de 0,6% do crescimento dos exportadores de petróleo e num aumento de 0,8% do PIB dos défices orçamentais globais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *