Tramados!

Tramados!

A situação de Cabo Delgado evolui de forma estonteante. O Covid-19 não dá tréguas e avança de forma demoníaca. Estamos tramados. Deus, como foi referenciado em tempos de outros males, não é moçambicano. O mundo chora pelos seus entes queridos que perecem e são infectados a cada segundo que o Covid-19 invade determinado território. Maldição!
Enquanto esta pandemia se espalha mundo adentro, no Norte do país, balas sibilam em confrontos envolvendo as FADM e o grupo de terroristas em nome do Al Shabab, num cenário teatral em que as populações fogem e procuram refúgio em outros locais seguros, contribuindo para a dispersão e separação dos seus mais próximos, quiçá aumentando o número de pedintes e pobres nas zonas de abrigo.
Dois males que aliados ao outro conflito, o da zona centro, incarnado nas acções banditescas da auto-proclamada Junta Militar semeiam medo, pânico e, sobretudo, deixam o país mergulhado num horizonte sombrio, onde é proibido sonhar. Maldito inferno este!
Utilizando o microscópio da análise, e o telescópio da síntese, chega-se a feia conclusão de que por estes dias, é quase que difícil governar. Porque, em verdade, um governo que acaba de sair da sua eleição e enfrenta estas metamorfoses nos primeiros dias encontra dificuldades imensas para traçar projectos de desenvolvimento largamente vomitados no período da campanha eleitoral.
É que, caros senhores e senhoras, rapazes e raparigas, velhos e velhas, no meio do turbilhão de balas, febres, tosses e gripes e um aceno à malária e HIV, nada pode acontecer sem sobressaltos. O alarido em torno do Covid-19 ecoa em todos os vales do país e do mundo e as preces no quotidiano religioso enaltecem Deus, evocando as suas potencialidades na vã tentativa de que Ele acalme as emoções e deposite esperanças nos corações despedaçados.
Populações em Cabo Delgado deixaram de ser e não enxergam horizonte. No centro, o general Nhongo faz exigências e a vida pára. Porém, apesar deste quadro feio, somos humanos. Sabemos encaixar e no caso da guerra, as soluções cabem no diálogo. O PR já disse e repetimos: digam o que querem, e vamos estudar e encontrar mecanismos de fraternidade.
A resposta tem sido ataques cobardes. Relativamente ao Covid-19 não há diálogo possível. Estamos tramados. Com o nível de assistência sanitária que temos, o tecto pode desabar a qualquer momento. Há medidas de prevenção. Cabe a todos cumpri-las como meio caminho andado para estancar a pandemia. Todos os meios são válidos para este momento de redobrada atenção. As autoridades anunciaram já as medidas de prevenção a todos os níveis.
Fecharam escolas e universidades. Temos para nós que mais medidas serão tomadas. A bem da saúde pública. Caso contrário, estamos tramados! Já agora e para fechar: os que semeiam confusão em Cabo Delgado não são malfeitores. Chamemo-los como bem o merecem.
São terroristas. E temos que ter argumentos para os enfrentar!

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