É mais fácil fazer a guerra do que a paz?

É mais fácil fazer a guerra do que a paz?

O país não está em chamas como se poderia dizer dado o evoluir dos confrontos que acontecem nas zonas centro e norte. Porém, a verdade manda dizer que não podemos ficar mudos e deixar a banda passar, sem deixar de alertar que, apesar de muitos outorgarem o contrário, e defenderem o mutismo noticioso, as armas teimam em continuar a ceifar vidas humanas, destruindo o tecido social, minando consequentemente as tendências governativas do alcance do progresso.
Numa altura bastante sensível, na qual o mundo está parado por causa da progressão diabólica do Covid-19 e parecendo que tudo decorre na plenitude, os confrontos armados resistem, tendo sido apenas afastados para, segundo plano, nas conversas do quotidiano moçambicano.
Tudo por culpa do Covid-19 que galga espaços no mundo, semeando dor e luto. Porém, e como dissemos, a guerra de armas marca terreno e a boa nova no meio do turbilhão chega nos da União Europeia, anunciando a disponibilização de Dois milhões de Euros para financiar a implementação do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional, rubricado em Agosto do ano passado em Maputo, entre o Governo e a Renamo.
Esta informação aparece como uma lufada de ar fresco, depois de muitas frases ditas ao longo dos últimos tempos provindas dos dois contendores que não se cansam de acusações mútuas, que vão atrasando o horizonte promissor.
O valor em causa pode vir a constituir-se numa alavanca às notícias de avanços no processo de paz, reacendendo a esperança de que finalmente as armas darão finalmente a vez ao diálogo e às negociações. Dois milhões de Euros é muita fruta, e se bem gerido, este montante pode acalmar o nervosismo latente e patente nas hostes partidárias dos dois inimigos de sempre.
Mas convenhamos. Lobo e cordeiro podem coabitar, desde que os Euros em causa sejam alocados aos projectos já traçados ao nível das duas delegações nas vertentes do DDR. Foi dado o primeiro passo. Cabe aos dois amigos a trégua definitiva com o abandono dos actos criminosos e a entrega das armas e auxílio para a reinserção dos guerrilheiros, concessões que encontram forte resistência.
De um lado, há desconfiança das partes. Os actores envolvidos não confiam em quem está do lado oposto da mesa. As feridas precisam ser cicatrizadas.
Temos para nós que desta vez o gesto talvez ressoe e nos faça olhar de esguelha à máxima segundo a qual é “fácil fazer a guerra do que a paz”.
Afonso Dhlakama e Filipe Nyusi desenvolveram com inteligência e determinação esse compromisso honroso da luta pela paz, e, mesmo quando tudo parecia perdido, os dois sempre acreditaram e o resultado da sua perseverança e do seu amor à liberdade esteve à vista até que… Oremos.
O mundo está preso por um fio. Covid-19 e terrorismo assumem proporções alarmantes no globo. Apenas para terminar.
O esforço e iniciativa da UE não pode ser levado de forma leviana. É preciso perceber que por estas alturas, onde a própria Europa não tem argumentos para travar o vírus corona, disponibilizar Dois milhões de Euros é obra. Obra do respeito pelos direitos humanos. Assim sendo, Renamo, Frelimo, e já agora a Junta Militar, devem engolir isto!

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