Concentrar energias para sacudir a ameaça

Concentrar energias para sacudir a ameaça

Um medo incaracterístico tem dominado o mundo nos últimos dias e semanas. O medo de contágio pela covid-19, que alimenta o espectro da desgraça em todo o globo, tendo em causa o seu inevitável impacto nos diversos segmentos sócio- -económicos.
Da China à Europa, atravessando o continente africano, os relatos demoníacos levam-nos a testemunhar um antecipado fim do mundo dada a velocidade da propagação do vírus, cujos números falam per si. Evidentemente, que daqui a uns tempos, e citando o P, a resistência dos humanos, as medidas de contenção das autoridades e a resposta da ciência poderão ter debelado os perigos da covid-19.
Mas os seus efeitos persistirão na economia e nas feridas abertas numa ordem mundial já de si frágil. Num momento em que, natural e justificadamente, a grande preocupação das autoridades e dos cidadãos se dirige para o alastramento do novo coronavírus, ficou claro que há pelo menos mais duas consequências do vírus que vão agravar as incertezas sobre o futuro: o já inevitável afundamento da economia e o aproveitamento geoestratégico que alguns países vão fazer da crise para se posicionarem para o futuro.
No país, temos que assumir que são necessárias mais acções enérgicas por forma a evitar uma verdadeira catástrofe, num quadro sanitário debilitado por vários males.
Assumimos e reafirmamos que uma comunidade tomada pelo medo, é uma comunidade incapaz de agir com inteligência, e sem inteligência tenderá a tomar decisões emotivas, que desviarão para questões secundárias as energias que devem estar concentradas a controlar e dirimir a ameaça.
O governo tem falado de estratégias para conter a invasão do inimigo, porém, por estes dias, tudo não passa de letra morta e sensacionalismo barato.
O tempo não é de discursos emotivos. O tempo é de dar garantias sérias de que em cada lugar e em cada esquina por onde haja suspeitas, o pessoal de saúde actue sem reservas.Voltamos a repetir que os sistemas de saúde dos países africanos são por demais deficitários e especula-se que o desastre seja estrondoso.
Face a este quadro desolador e deveras preocupante, temos que, desde já, juntar sinergias desde as instituições do Estado, acompanhadas pelos seus parceiros internacionais, despertando cedo para enfrentar um fenómeno que ameaça exterminar o globo.
A declaração governamental de que as autoridades estão de prevenção, é já um grande passo e comprova o compromisso do Executivo e de todos os moçambicanos ao lado de uma forte campanha de sensibilização, em que os meios de comunicação social poderão desempenhar.
Tratando-se de uma doença ainda sem cura e cujo combate seguro passa pela prevenção, temos que potenciar as contínuas campanhas de esclarecimentos e sensibilização, educação e adopção de comportamentos responsáveis.

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