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A Cidade do gás está a sair do papel

A Cidade do gás está a sair do papel

Vai custar 1,5 mil milhões de dólares, albergar 200 mil habitantes e ser o ponto focal das operações na Bacia do Rovuma.
A E&M mostra os números impressionantes da cidade que vai nascer em Afungi, em Cabo Delgado será a casa de 200 mil habitantes que, prevê-se, venham a residir numa nova cidade que começa a ganhar corpo real para lá das linhas de um projecto que, para muitos, parecia irreal.
Irá crescer na península de Afungi, na província de Cabo Delgado onde, hoje, as perto de 15 mil pessoas que já por ali vivem irão ganhar (muitos novos) vizinhos e uma vista privilegiada para o novo futuro do país.
O primeiro vislumbre do projecto da Cidade do Gás (o nome não é, por ora, oficial, mas será difícil que não o venha a ser) foi apresentado publicamente por Lorenzo Monti, representante da Renco Energy e director do projecto, na recente feira MozGaz Summit, que aconteceu em Maputo, em meados de Novembro.
O projecto
A Renco Energy é, de resto, uma empresa moçambicana, cuja maioria do capital pertence à empresa mãe, a italiana Renco S.p.A. (que tem operações em 20 países e mais de 4 mil funcionários). Recentemente, assinou um contrato com o Grupo ENH, a empresa estatal moçambicana responsável pela identificação e desenvolvimento dos depósitos de hidrocarbonetos, em que esta depositava na Renco a realização do plano director detalhado da chamada Cidade do Gás que vai ser criada em Afungi, nas proximidades das fábricas de liquefacção do gás extraído dos depósitos offshore que irão ser explorados pela Total, Exxon, Eni e Anadarko (os accionistas maioritários das Áreas 1 e 4).
O plano director da Cidade foi, desta forma, apresentado num ambiente palpável de excitação generalizado. O termo escrito (e lido) em inglês resulta melhor, é certo, mas o simbolismo é semelhante. A cimeira sobre gás em Moçambique duplicou o número de expositores do ano passado e atraiu mais visitantes do que nas últimas edições em conjunto, reunidos para debater os grandes temas relacionados com a indústria de petróleo e gás ao nível nacional e internacional e apresentar os seus serviços aos grandes players do sector.
Depois de anos de espera, o gás está aí à porta e já está prevista, para o primeiro dia de Novembro de 2022, a saída do primeiro navio cargueiro com exportação de gás natural moçambicano proveniente da plataforma flutuante (FLNG) da Área 4, que está a ser construída na Coreia do Sul, operada pelo consórcio da Área 04 e constituído pela ExxonMobil, Eni e CNODC – China National Oil and Gas Exploration and Development Corporation que conjuntamente detém uma participação de 70%, cabendo três parcelas de 10% à coreana Kogas, à portuguesa Galp Energia e à moçambicana ENH.
Assim, com os desenvolvimentos dos últimos meses, as perspectivas de crescimento a duas casas, ou o novo parâmetro monetário do ‘bi’, a entrar nas conversas do dia-a-dia e nas previsões semestrais e anuais, o crescimento ganha contornos reais.
O plano
Em Novembro do ano passado, Gianluca Mattioli, director-geral da Renco-AK abria a porta a projectos como o da Cidade do Gás, falando de um “modelo de negócios altamente elástico em que estamos sempre à procura de novas áreas para explorar. O nosso futuro está principalmente na construção, estabelecemos um nome forte nos mercados onde estamos presentes, não vejo razão para que não desenvolvamos uma presença maior também no sector de petróleo e gás”, assumia.
E a construção da Cidade do Gás surge nesse contexto de implementação da empresa nos mercados onde se prevê maior desenvolvimento económico. Voltando ao encontro empresarial que decorreu em Maputo, promovido pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, o promotor da Cidade do Gás e parceiro estatal nos megaprojetos, dos quais detém percentagens do capital, foram divulgados mais detalhes sobre o empreendimento. E são todos, claro, megalómanos.
No total, serão perto de 200 quilómetros quadrados de uma área que se divide por 1 200 hectares dedicados a zonas residenciais, 3 800 hectares alocados a um espaço industrial, 2 300 hectares de lotes para agricultura a que se somam 8 000 hectares de áreas verdes e 214 hectares destinados a infra-estruturas de lazer e turismo.
Mais números de uma grande conta
Mas mais pormenores sobre esta urbe do século XXI foram revelados: contará com 50 a 60 quilómetros de rede de distribuição de electricidade, 400 quilómetros de condutas de distribuição de água potável, incluindo uma central de purificação e bombagem. E a infra-estrutura de água terá capacidade para o abastecimento de 25 a 30 mil metros cúbicos por dia.
Está também projectada a construção de uma rede de recolha de águas residuais e, seguindo as boas práticas ambientais, será construída uma plataforma de separação, reciclagem e recuperação de resíduos sólidos.
Vários edifícios públicos completam o projecto, no sentido de dotar o espaço de serviços de saúde, educação e segurança, além de dezenas de quilómetros de rede viária.
Olhando à zona industrial, esta será dividida em quatro áreas: uma para o funcionamento de uma central elétrica que rá ‘alimentar’ a cidade, uma outra está reservada para a fábrica de petroquímicos que vai produzir combustível a partir do gás. Depois, existirá uma outra unidade fabril para produção de fertilizantes. E, por fim, existirá uma zona logística, onde serão construídos armazéns destina-dos aos fornecedores de serviços para estas indústrias.
O Plano Director da Cidade do Gás não esquece, de igual forma, o turismo e é por isso que prevê, também, uma área de 214 hectares onde serão construídas 15 unidades hoteleiras.
Lorenzo Monti resume, assim, os números de tamanha grandeza e aclara, em detalhe, as linhas mestras do projecto da Cidade do Gás: “O Plano Director orienta-se por cinco valores: desenvolvimento económico e social, atracção de Lorenzo Monti resume, assim, os números de tamanha grandeza e aclara, em detalhe, as linhas mestras do projecto da Cidade do Gás: “O Plano Director orienta-se por cinco valores: desenvolvimento económico e social, atracção de
investidores nacionais e internacionais, respeito pelo meio ambiente, natureza e comunidades, desenvolvimento de infra-estruturas, indústrias e actividades terciárias, bem como o estabelecimento de um modelo de desenvolvimento sustentável”, enuncia.
Quanto à sua localização, a Cidade vai nascer junto às unidades de liquefacção de gás natural, o motor do desenvolvimento de toda uma região (e de um país) que são parte de um conjunto de mega-investimentos que chegarão, pelo que foi até agora anunciado, e apenas de forma directa, aos 50 mil milhões de dólares. É quanto custa o bilhete que garante entrada no mundo dos grandes produtores de gás mundiais.
Já a construção da Cidade, e ainda sem datas definidas, “deverá arrancar antes do início da extracção e liquefacção de gás, em 2025, e ir crescendo gradualmente até 2050”, adiantou Lorenzo Monti.
Fábrica já arrancou
Se a Cidade do Gás só agora começa a sair do papel, o projecto de construção da Fábrica de Gás Natural Liquefeito na península de Afungi já arrancou. A grande fábrica, a ser instalada onshore, pertence à petrolífera norte-americana Anadarko que, vai investir no projecto cerca de 23 mil milhões de dólares. E o plano de desenvolvimento da área 1 da Bacia do Rovuma, aprovado em 2018, e com Decisão Final de Investimento tomada no passado dia 18 de Junho, está em marcha.
A fábrica terá capacidade de produzir cerca de 12 milhões de toneladas de gás natural por ano e, segundo o Governo, “o projecto vai disponibilizar cerca de 400 milhões de pés cúbicos de gás natural por dia ao mercado doméstico”.
O principal objectivo é, sempre se disse, “alavancar a indústria nacional, o emprego local e as capacidades internas do país”. Claro que esse é outro debate, e veremos, nos próximos anos, o que é que a economia nacional consegue reter de todos estes investimentos. Mas, para já, pelo menos, ganhou-se o direito a sonhar.

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