MDM: “Validação resultados é “grande rasura” no desenvolvimento da democracia”

MDM: “Validação resultados é “grande rasura” no desenvolvimento da democracia”

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) considerou segunda-feira que os resultados que dão vitória à Frelimo e a Filipe Nyusi são uma “grande rasura” na democracia nacional.
“O que aconteceu em Moçambique foi uma grande rasura no processo do desenvolvimento da democracia no país”, disse José de Sousa, deputado do MDM, falando minutos após a proclamação de resultados em Maputo.
Em causa está a proclamação segunda-feira dos resultados pelo Conselho Constitucional (CC), confirmando a reeleição de Filipe Nyusi, à primeira volta, para um segundo mandato, com 73% dos votos, e a maioria absoluta da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) nas três eleições em todos os círculos eleitorais – 11 no país, mais dois no estrangeiro (África e Resto do Mundo).
Para José de Sousa, as eleições de 15 de outubro em Moçambique foram marcadas por uma fraude generalizada, atingindo “proporções assustadoras”.
“A fraude atingiu proporções nunca vistas, foi assustadora e aqueles que a cometeram estão assustados”, disse o deputado do MDM, acrescentando que os delegados da oposição foram expulsos das assembleias de voto quando tentavam reclamar.
O MDM não aceita os resultados desde o primeiro anúncio pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), mas desistiu de apresentar queixas ao CC, preferindo exigir, junta da Procuradoria Geral, a investigação de alegados ilícitos eleitorais no processo.
Daviz Simango, líder do MDM, foi o terceiro mais votado, com 4,38%, ficando atrás do presidente do principal partido de oposição (Renamo), Ossufo Momade, que obteve 21,88%.
No parlamento, a Frelimo reforça a maioria e vai passar a ter mais de dois terços dos lugares, cabendo-lhe 184 dos 250 deputados, ou seja, 73,6% dos lugares, restando 60 (24%) para a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e seis assentos (2,4%) para o Movimento Democrático de Moçambique (MDM).
A Frelimo consegue mais 40 deputados que há cinco anos, a Renamo perde 29 e o MDM perde 11.
Várias missões de observação levantaram também dúvidas e preocupações acerca da votação. A Comissão Nacional de Eleições de Moçambique manifestou “preocupação” com “algumas irregularidades”, justificando que por isso evitou descrever as eleições gerais como livres, justas e transparentes, no anúncio dos resultados.

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