Três galos para um único poleiro

Três galos para um único poleiro

É já neste sábado que as 11 associações provinciais de futebol vão às urnas para eleger o presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) e seus respectivos órgãos sociais. Para a presidência de direcção concorrem três candidatados, nomeadamente, Alberto Simango Júnior, Feizal Sidat e Manuel Bucuane (Tico-Tico).

Para já o movimento que antecede as eleições do sábado é intenso. Todos os candidatos, a avaliar pelo seu passado desportivo, são elegíveis para melhor dirigir os destinos da casa do futebol moçambicano. Dos três que sobraram, face a desistência de Amílcar Jussub, apenas Tico-Tico, antigo capitão da selecção nacional de futebol é que não conhece os “corredores federativos”. Os outros dois, Feizal Sidat e Simango Júnior são “macacos velhos”. Mas quais as potencialidades de cada um?

 

Feizal Sidat

Feizal Sidat, adepto ferrenho do Grupo Desportivo Maputo (GDM) “progenitor” da Liga Muçulmana (hoje Liga Desportiva de Maputo) esteve na FMF por 16 anos. Os primeiros oitos anos foram como vice-presidente do saudoso Mário Coluna, antiga glória do Benfica e da selecção Portuguesa de futebol.

De 2007 a 2015, Sidat foi presidente da Federação Moçambicana de Futebol. Durante o seu reinado a selecção nacional de futebol conseguiu a melhor posicionamento de todos no ranking da FIFA ao posicionar-se na posição 69. Com Feizal Sidat no poder os Mambas participaram num CAN, Angola 2010, num CHAN, África do Sul 2013 e numa final do torneio da COSAFA tendo perdido para Namíbia, em 2015.

A nível de infra-estrutura, Sidat conseguiu, com apoio da FIFA, modernizar e colocar relva natural no campo primeiro de Maio, localizado no bairro da Maxaquene, construiu a academia Mário Esteves Coluna de Namaacha, província de Maputo, bem ainda a colocação de relva sintética em Quelimane e Nacala.

Recorde-se de que há quatro anos, questionado se nos oito anos que esteve à frente dos destinos da FMF havia algum sentimento de frustração acerca de alguma actividade que não conseguiu concretizar, Feizal Sidat foi efusivo e disse que o que tinha proposto a realizar na direcção do organismo conseguiu, porém existiam alguns aspectos que gostaria de ver melhorados que não são da sua alçada.

“Não há nenhumas mazelas. É verdade que quem trabalha erra. Gostaria que em todas as províncias, pelo menos nas três capitais provinciais, zonas Centro, Sul e Norte, tivéssemos alguns estádios, tivéssemos estádios municipais. Essa é responsabilidade não nossa, mas do Governo e dos municípios. Portanto, se um dia podermos colocar estádios municipais, aquilo que nós fizemos, o apoio que demos ao campo na Zambézia, a relva sintética doada pela FMF e mais outros, pudesse ser feito porque o importante é ter o artista com um bom campo ou um bom palco para ele poder dançar”, referiu Sidat para depois dizer que “não há nenhuma mágoa, não há nenhuma frustração naquilo que eu fiz nos últimos oito anos. Foi um trabalho árduo até ao distrito”.

Quanto ao legado que deixou, a nossa fonte referiu que esperava que continuasse com a sua obra e quiçá melhorasse vários aspectos que achasse conveniente, no entanto, mas deixou um aviso: “Na parte administrativa e financeira seja honesto e leal e que não deixe dívidas após quatro ou oito anos que ele deixar a FMF, porque não é correcto os nossos sucessores assumirem dívidas”, disse.

 

Alberto Simango Júnior

O actual presidente da FMF vinha com experiência acumulada do tempo que foi presidente da Liga Moçambicana de Futebol. Tem experiência e conhecimento suficiente para continuar a gerir a casa do futebol.

No entanto, os seus últimos quatro anos na federação não foram de todo “católicos”. Houve muitos erros, mas também algumas realizações importantes.

Em 2015, quando tomou posse disse que tinha novas ideias para o futebol: “Tenho novas ideias. Quero mudar, quero acrescentar alguma coisa para melhorarmos a nossa situação, sobretudo, na componente competição, área de formação, infra-estruturas”.

Constava do seu manifesto eleitoral a qualificação dos Mambas para o mundial 2018 na Rússia bem ainda participação em CAN subsequentes. Se participar no mundial era uma utopia, própria dos períodos eleitorais, os CAN’s eram possíveis.

É preciso também não esquecer que a falta de sorte também teve influência nos últimos cinco sob a batuta de Alberto Simango. No último CAN, foram 2 minutos que nos valerem a presença na maior competição futebolística de África. Pelo meio, Simango viu-se impossibilitado dar seu trabalho devido a doença.

Se ao nível da selecção, que é o espelho, não houve grande evolução o mesmo não se pode dizer a nível organizativo. Simango liderou um processo de organização nunca mais visto na casa de futebol com a profissionalização de alguns sectores. Investiu pouco nas infra-estruturas, mas esteve muito atento no factor humano.

A candidatura de Simango é de continuidade e promete realizar o que não conseguiu nos últimos quatro anos.

 

Manuel Bucuane

É para muitos um dos maiores talentos após a independência nacional. Tico-Tico jogou futebol em todos cantos do Mundo. Na África, Europa e América.

É entre os candidatos o que tem menos experiência “governativa”,  mas ninguém nasce dirigente. Conta na sua curta a passagem pela União Desportiva de Songo, como director desportivo.

Não falta conhecimento sobre futebol e exposição internacional, mas a falta de corredores em dirigismo desportivo não abona a favor do antigo capitão dos Mambas.

Cada candidato tem as suas valências, mas apenas 11 pessoas, indigitadas pelas associações poderão decidir. No próximo sábado, ficaremos a saber quem é o novo homem forte do nosso futebol. (Egídio Plácido)

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