Ignorada pelas grandes empresas e megaprojectos Bolsa de Valores de Moçambique relaxa requisitos para atrair PME´s

Ignorada pelas grandes empresas e megaprojectos Bolsa de Valores de Moçambique relaxa requisitos para atrair PME´s

A Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) decidiu relaxar as condições para admissão de novas empresas, “pode-se admitir a empresa ficando 2 anos a organizar-se para cumprir os requisitos” explicou Salim Valá que lamentou que até a lei das Parcerias Públicos Privadas de grande dimensão está a ser ignorada pois determina “que a partir da data do início da produção em 5 anos a empresa tem que ser listada em Bolsa”. Nenhuma Empresa Pública ou megaprojecto da indústria extrativa está cotada, apenas 4 das 100 maiores empresas estão na BVM e o Governo isentou as empresas do petróleo e gás natural de se listarem.
Embora em 2018 a capitalização da BVM tenha crescido 17 por cento para 85,3 biliões de meticais e o volume de títulos transaccionados tenha aumentado 15 por cento, comparativamente ao ano anterior, o volume de transacções caiu em 41 por cento, para apenas 3,3 biliões de meticais, e o índice de liquidez de mercado reduzido 3,92 pontos percentuais. Das duas empresas que estavam previstas serem admitidas apenas a Touch Publicidade S.A. listou-se em Dezembro.
O ano de 2019 está a findar e além da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que deveria ter sido admitida em 2018, foram listadas apenas mais duas empresas a Arco Investimentos S.A. e a Arko Companhia de Seguros S.A. não havendo expectativa de mais nenhum nova empresa a ser cotada na Bolsa de Valores de Moçambique.
Das 100 maiores empresas em Moçambique apenas a HCB, a CDM, a CMH e a EMOSE estão listadas na Bolsa não havendo nenhuma intenção, e aparentemente nem vontade política, de viabilizar as falidas Empresas Públicas através do mercado de capitais e nem sequer os megaprojectos que extraem os recursos dos moçambicanos ou os bancos comerciais têm interesse na Bolsa de Valores de Moçambique.
A solução para tentar injectar nova adrenalina no mercado de capitais moçambicano, que não gera receitas sequer para cobrir os seus custos de funcionamento, a BVM criou o “Terceiro Mercado” para o qual os requisitos de admissão foram relaxados.
Segundo Salim Valá as empresas que o desejem poderão ser admitidas sem contabilidade organizada ou contas auditadas e “fica 2 anos a organizar-se para cumprir os requisitos da Bolsa na base do ecossistema de instituições que podem dar o suporte e assistência para que eles alcancem estes requisitos”.
“É um mecanismo que existe em várias praças comerciais internacionais de países desenvolvidos como França, Alemanha ou Bélgica, Brasil, Japão, China, Índia, e que nós, depois de um estudo profundo, achamos que valeria a pena porque mais do que 98 das empresas em Moçambique são PMEs e vai permitir criar uma almofada de ar fresco e oxigenação no sistema financeira de mercado de capitais”, argumentou Valá.

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