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Renamo desavinda: quem vai assinar acordo com desertores?

Renamo desavinda: quem vai assinar acordo com desertores?

 

É um perigo apelidar vozes discordantes na Renamo de desertores, sob o risco de se assinar o acordo com a ala militar que mantém a simpatia do presidente Ossufo Momade e perder-se o controlo da ala discordante (desertores) que ainda mantêm as armas em punho.

Agosto está próximo para a assinatura do acordo de paz entre o Governo e a Renamo. Mas ao que tudo indica este processo poderá não ser conclusivo, a olhar para as questões relativas ao memorando de entendimento que prevê também a integração de alguns membros das forças residuais da Renamo no serviço de inteligência e segurança do estado (SISE).

Há uma Renamo militar que cada vez fica desavinda, chegando a culpabilizar o actual líder desta formação política pela crise que se está a assistir. A ala militar, que é tida como a espinha dorsal da perdiz, vai cada vez mais agudizando os seus pronunciamentos, exigindo até a destituição imediata do seu líder Ossufo Momade por má gestão do partido. A olhar pela reacção do porta-voz da Renamo, José Manteigas, aquando da aparição pública do general Mariano Nhongo, segundo o qual estes são desertores parece que a realidade vai provando que há um problema sério na Renamo Que urgentemente se deve encontrar a solução.

Quem compromete o DDR?

O director da Fomicres, Albino Forquilha, diz-se céptico quanto ao cumprimento dos prazos do processo de desarmamento, desmilitarização e reintegração (DDR) das forças residuais da renamo, a olhar pelos conflitos internos desta formação política a que se encontra mergulhado. Segundo Forquilha, a Renamo deve ter o cuidado de apelidar a ala militar que neste momento constitui o pomo da discórdia interna sob o risco de a desmilitarização, desarmamento e reintegração privilegiar um grupo que granjeia simpatia do actual líder da perdiz Ossufo Momade. Forquilha explicou que as reivindicações dos ditos desertores vão ganhando quórum a cada dia e a cada base militar que a Renamo tem, daí que o próprio líder da perdiz e o seu porta-voz não se devem dar o luxo de menosprezar tais reivindicações a que estes apresentam.

”Ontem foi na serra de Gorongosa com Mariano Nhongo, depois a base de Funhalouro alinhou e agora não se tem a certeza qual será a próxima base que irá seguir o mesmo diapasão”, alertou.    

Para o director da Fomicres, a informação de que o processo de desarmamento, desmilitarização, e reintegração das forças residuais da Renamo acolheu os moçambicanos com muita satisfação não corresponde a verdade. Satisfação porquê? Os engenhos que ainda se encontram na posse desta formação política de uma vez por todas não seriam reutilizados, mas sim estes passariam na responsabilidade do Estado que obrigatoriamente deve garantir a segurança dos cidadãos, independentemente de pertencer a qualquer formação política. Albino Forquilha explicou que as pessoas que ainda mantêm o controlo dos engenhos na perdiz prescindiriam e passariam a levar uma nova vida social, embora tenha inúmeras dúvidas sobre a abrangência em várias áreas da reintegração das forças residuais Renamo.

Albino Forquilha é duvidoso quanto à seriedade a que este processo está a ser conduzido pelas partes envolvidas, tendo questionado se dentro de 45 dias é possível ter um DDR definitivo, a olhar pelo facto de a Renamo continuar a reclamar junto do Governo a integração de parte da sua força residual ao Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SISE), que até esta parte contínua ser o pomo da discórdia para avançar-se a outros pontos.

”A avaliar os dados no terreno surgem inúmeras dúvidas. Este acordo deve ser de remoção dos engenhos que ainda continua na gestão da Renamo”, disse a fonte, tendo acrescentando que as reivindicações da Renamo devem ser resolvidas, por aquilo que é o próprio memorando de entendimento.

”Lembro que a Renamo apresentou os seus membros tendo havido um ping pong, não cabia ao Governo exigir quem deve ser reintegrado ou não. O Governo devia apenas receber a lista e cumprir com aquilo que é o memorando, de modo a salvaguardar a confiança que o partido Renamo já não tem para com o Governo”, disse, salientando que só assim o Governo podia também exigir ao cumprimento do acordo.

 

Desententendimentos internos    

Neste ponto, Albino Forquilha diz ser urgente que a Renamo encontre a solução para a gestão dos seus conflitos internos, sob o perigo de transitarmos este ano sem que haja consensos e correr o risco de o país continuar viver na incerteza.

”Acredito que a Renamo vai encontrar uma solução para este problema. Não é interesse desta formação política viver armada, tanto que durante muito tempo o partido Renamo mesmo armada os seus militares nunca saía à rua para disparar”, disse, acrescentando que as armas da Renamo começaram a ser um perigo quando a mesma recorreu-nas para se defender dos ataques a que vinha sendo alvo, em 2013, até à altura da trégua definitiva.

Albino Forquilha disse que os generais da Renamo que aparecem exigindo a retirada do actual presidente devem ser acarinhados, pois a serem marginalizados da forma como está acontecer poderá a perdiz abrir um precedente que pode minar todos passos que foram dados.

“Não é minha intenção, mas se estes não reconhecem o líder da Renamo, a quem vão reconhecer e quem vai dar o comando para que eles entreguem as armas que possivelmente está na posse dos mesmos” realçou por um lado que o país precisa de estar livre de todas armas. Por outro, a divisão na Renamo já não pode ser vista como sendo um problema daquela formação política, mas sim é um desafio que este tem para com o Estado e a população moçambicana.

A Fomicres chama a atenção para o facto de os moçambicanos não olharem o processo de DDR como sendo um problema da Renamo e do Governo. Mas sim este processo deve ser abrangente para todos desde as comunidades até a sociedade civil, pois a Renamo já não tem todo seu mapeamento de esconderijo das armas.

”Houve muitos membros da Renamo que desertaram desta formação política e que possivelmente estejam na posse de aramas”, aventou.  

A fonte disse ainda ser necessário desarmar fisicamente o país sob ponto de vista de identificação dos indivíduos e locais de possíveis das existências de armas, bem como as mentes para que mesmo com os conflitos após eleitorais não se pense em recorrer às armas para se impor a qualquer injustiça.

Recordou ainda que no país existe pouco mais de 100.000 moçambicanas militares desmobilizados depois da guerra, o que significa que este número tem informações sobre possíveis lugares de concentração de armas.

”Temos que retirar o pensamento de que e a Renamo e o Estado estão gerir este processo, porque o DDR deve ser dado primazia igual ao processo de desminagem sem excluir o facto de haver um número considerável de armamento na posse de anónimos resultante da fragilidade das nossas fronteiras”, salientou, para quem as exigências da Renamo se tivessem sido alcançadas na letra e no espírito o Governo estaria a atravessar outra etapa, porque, olhando para o prazo, é muito curto a ter em conta as situações a que ”me referi”. (Elton da Graça)

 

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