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FAO defende resposta conjunta face à praga de gafanhotos que ameaça África Austral

FAO defende resposta conjunta face à praga de gafanhotos que ameaça África Austral

O representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura em Moçambique (FAO) defendeu hoje, uma resposta conjunta entre os países da África Austral para fazer face à praga de gafanhotos na região, alertando para a sua rápida propagação.

Os “insectos deslocam-se muito rapidamente e podem atravessar as fronteiras sem que ninguém perceba em menos de 24 horas. Portanto, esta parte da coordenação regional é uma componente muito importante para travar a propagação”, disse Hernâni Coelho da Silva, em entrevista à Lusa.

Na África Austral, além de Malawi e Tanzânia, a praga do “gafanhoto vermelho” já afecta quatro distritos de duas províncias de Moçambique, nomeadamente Sofala e Niassa.

Após uma informação reportada pela FAO sobre a eclosão da praga em alguns países da região, o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural moçambicano lançou em Julho um “alerta máximo” para a região fronteiriça entre Moçambique e Malawi, avançando que a praga pode constituir perigo para a segurança alimentar.

As zonas de maior risco em Moçambique são os distritos de Buzi, Gorongosa e Caia, na província de Sofala, centro de Moçambique, e Macanhelas, na província do Niassa, norte do país.

“Neste momento, a praga está na fase de eclosão e os insectos estão a procriar-se nestas zonas”, alertou Hernâni Coelho da Silva.

Com uma capacidade reprodutiva muito alta, o peso médio do gafanhoto vermelho é de dois gramas e, por dia, o insecto consome a mesma quantidade de “tudo que é verde”.

“Imagine se tivermos uma tonelada de gafanhotos vermelhos acumulados numa zona, eles podem comer as plantas em quantidades que seriam suficientes para alimentar 2.500 pessoas. Temos de estar muito atentos e tomar medidas atempadas”, frisou o representante da FAO em Moçambique.

 “Perto de 66% da população vive nas zonas rurais e 90% dessa população depende da agricultura. Mas a nossa produtividade em Moçambique está ainda para além da média da produção em África”, observou Hernâni Coelho da Silva.

Com as restrições impostas pelo novo coronavírus, a FAO teme que os esforços para reforçar a capacidade dos pequenos agricultores e apoiar o sector sejam severamente afectados, havendo um plano orçado em 20 milhões de dólares (17 milhões de euros) para evitar este cenário e garantir que os agricultores estejam informados sobre as medidas de prevenção contra a pandemia.

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