Segurança por Privados em Cabo Delgado Divide Frelimo

Segurança por Privados em Cabo Delgado Divide Frelimo

Novos dados sobre o ataque do dia 10 de Agosto contra um aquartelamento das FADM em Mocimboa da Praia, província de em Cabo Delgado, apontam para danos superiores ao inicialmente apurado: – Um total de 27 militares e forças de segurança foram mortos, dos quais 17 membros da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) e 10 soldados da FADM; – Durante o ataque terão sido utilizados “drones” para identificar as posições das forças de segurança na região; – As células “jihadistas” armadas estariam em permanente contacto e comunicação rádio entre si, situação que se manteve durante a retirada; – Entre os elementos armados, terão sido identificados alguns de fisionomia não moçambicana (tez clara), e outros descritos como “brancos”; – O ataque tirou partido de escolhas tácticas erradas por parte das FADM, justificando o elevado grau de baixas; – Informação não confirmada refere a utilização de “pó branco” para dificultar a acção das FSS moçambicanas, através da diminuição do campo visual. A 17 Agosto, um ataque numa aldeia (Milamba) a 40 kms de Mucojo vitimou mortalmente 12 civis, dando continuidade ao crescendo de intensidade da acção dos insurrectos. A incapacidade do Estado tem levado diversas empresas de segurança privada (ESP) a abordar o governo no sentido “resolver” o problema de Cabo Delgado. Entre estas destacam-se: – Frontier Service Group (FSG), dirigida por Erik Prince (EUA), apoiada por chineses; – Lancaster 6 Group, sucursal da FSG; – Specialised Tasks, Training, Equipment and Protection International (STTEP), dirigida pelo ex-dirigente da Executive Outcomes, Eeben Barlow (RAS); – Wagner International/ Lobaye Invest (Rússia); – Suidlanders, pertencente à Black Hawk Corporation, ligada a Dolph Dorfling ; – BRZ International (RAS), dirigida por Bill Pelser ; – Quemic Integrated Security Solutions (RAS), ligada a Roy Vermaak. Segundo fontes próximas do dossier, enquanto o PR Filipe Nyusi (FN) se mostrou favorável a um acordo de âmbito nacional com Erik Prince, a ala dos antigos combatentes da FRELIMO opôs-se àquela solução, preferindo a Wagner International/ Lobaye Invest. As divisões internas sobre o parceiro a escolher trouxeram uma maior descoordenação interna e adiaram-se decisões operacionais que poderiam ter limitado o crescendo do fenómeno armado na região e a respectiva evolução para um problema nacional e internacional. O ISIS (ou ISCAP – Islamic State Central African Province) já reclamou a “autoria” de 6 ataques. Actualmente, considera-se que apenas uma unidade militar em no país teria capacidade operacional de actuar com eficácia contra a insurreição em Cabo Delgado: os Fuzileiros, baseados em Pemba, compostos por 650 elementos. No entanto, esta unidade está empenhada na defesa da Península de Afungi, onde se encontra a base logística da Anadarko/ Occidental, não sobrando assim sub-unidades com capacidade de combate em teatros de operações não convencionais. Novas informações indicam que o Governo terá, pressionado pelo agravamento da situação, avançado para uma solução intermédia, contratando a 01.AGO um conjunto de meios aéreos com a empresa sul-africana Hogan (RAS/ Reino Unido) e Steve Lodge (RAS/ EUA), dotados de armamento Milkor (sul-africano). Os meios contratados envolvem 2 helicópteros Gazelle 341, munidos de metralhadoras de 20 mm e lança-granadas de 40 mm, por um período de 3 meses (até finais de OUT.). A função destes meios é apoiar as FADM e as UIR da polícia (PRM), alterando a táctica terrestre – até agora sem sucesso – para a via aérea, apoiada no terreno pelos militares e PRM. O contrato envolveu o fornecimento de 8 tripulantes (sul-africanos e um francês). O apoio logístico é fornecido por Willie van der Stoep (pai) e Len (filho) através da empresa L6G, pertencente à Umbra Aviation, com sede em Groenkloof, Pretoria. A família Van der Stoep possui igualmente a companhia AerSud na RAS e esteve envolvida em acções aéreas em combate na Nigéria (contra o Boko Haram), Sudão do Sul, Costa do Marfim, Serra Leoa e Líbia. Os helicópteros foram expedidos para Pemba por Steve Lodge, através da empresa Spectre SOF que, por sua vez, os alugou à L6G/ Umbra/ Proindicus. Os 2 Gazelle estavam estacionados em Midrand, entre Joanesburgo e Pretória e foram preparados pela Warbird, empresa estabelecida em Pretória. Lionel Dyck (LD), um coronel de origem rodesiana (Zimbabwe), agora residente na África do Sul, esteve igualmente envolvido no processo de autorização para o envio dos 2 aparelhos. LD possui hoje a empresa Dyck Advisory Group (DAG) e mantém contactos na ZANU-PF e FRELIMO. Segundo apurado, tem vindo a participar em acções de formação e operações no terreno no combate à caça furtiva nas regiões da Zambézia, Niassa e Inhambane. Os helicópteros descolaram de Midrand a 04.AGO, tendo feito o voo no período nocturno para maior discrição. A restante tripulação aterrou em Pemba (K aia) a 02.AGO. Para desviar as atenções públicas, os helicópteros foram deslocados para instalações pertencentes a LD, situadas na província do Niassa (a c. de 250 kms de Pemba) e utilizadas nas acções anti-caça furtiva. O envolvimento de helicópteros de fabrico francês em acções de natureza militar poderá constituir um embaraço para o Governo francês, dada a obrigação de autorização prévia, até agora inexistente. O Departamento do Estado dos EUA e o Foreign Office do Reino Unido estão a disponibilizar fundos para fins sociais em Cabo Delgado, no âmbito do esforço para contenção de extremismo violento (C ounter Violent Extremism -CVE ). Os fundos de CVE têm como premissa financiar actividades locais que resultem na criação de postos de trabalho para jovens, cursos técnicos e melhoria de condições de saúde e de educação. O objectivo é reduzir o apoio das comunidades locais aos “jihadistas”, ocupando os jovens locais, considerados vulneráveis ao recrutamento dos grupos extremistas. Um dos fundos CVE disponibilizados pelos Bureau de África do Departamento do Estado (SDAB), EUA – aberto a candidaturas de ONG – tem o valor de USD 400.000. Um segundo fundo do SDAB, no mesmo montante, encontra-se a concurso (até 21 Agosto). Também para CVE, a Embaixada dos EUA em Maputo comunicou em JUL. a disponibilização de USD 250.000 para organizações da sociedade civil local. Os fundos britânico foram lançados para toda a região da África Oriental, (E tiópia, Quénia, Uganda, Tanzânia, Moçambique), através de 2 programas denominados BRICS – Building Resilience in Civil Society. Após a primeira fase, em 2018, a segunda fase decorre entre ABR.2019 e MAR.2022. Nesta fase, Quénia é o principal destinatário dos fundos (50% do total) enquanto à Tanzânia são destinados 35% e a Moçambique 15%. Etiópia e Uganda ficam de fora na fase II. O montante a ser alocado para cada país dependerá das propostas submetidas. O fundo britânico para CVE é gerido pelos Altos Comissariados Britânicos a nível local, em coordenação com o Foreign Office. Organizações como a Adam Smith International e o Palladium Group estão na linha de frente para ganhar os fundos, devendo iniciar o trabalho ainda no 3º trimestre de 2019. Sem conhecimento da realidade local, as organizações internacionais que concorrem a fundos CVE apresentaram parceiros locais sem experiência em projectos semelhantes (C entro Terra Viva, Amigos do Ambiente, Mulher Lei e Desenvolvimento, Progresso, Kulima, Instituto de Estudos Sociais e Económicos). O mesmo tipo de programas foi aplicado nos últimos anos, sem sucesso significativo, em países da África Ocidental sujeitos a acções de recrutamento do Boko Haram – facto atribuído por fontes consultadas ao seu carácter genérico e reduzida adaptação à realidade local. AM/ZAMBEZE

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