Opinião: O deslize do Presidente da República a respeito de Cabo Delgado

Opinião: O deslize do Presidente da República a respeito de Cabo Delgado

À margem das falas do Presidente da República aliada ao facto de que vivemos em tempos em que precisamos sempre ouvir um pouco para além do que é dito, pudemos aperceber-nos que a guerra de Cabo Delgado é um problema do Governo ou então da Frelimo, o facto é que é da alçada de Filipe Nyusi pois, quando se fala de elites em Moçambique, está-se quase que sempre a tratar de membros, militantes ou figuras dessas duas entidades, Governo ou Frelimo, que em critérios lógicos trata-se das mesmas pessoas. Ouvir um pouco para além do que se diz, significa exactamente lembrar que o Presidente da República é o comandante, o líder dessas elites nos dois ângulos possíveis, o partidário e o governamental e que ao falar deles o PR também está incluso.

Para apontar dedos e fazer suposições nunca se quer o povo precisou do Presidente da República ou de um outro dirigente governamental, sempre o fez por si e mesmo a respeito dos ataques de Cabo Delgado o povo já há bastante tempo supunha o que o Presidente está supondo agora, que esta guerra é um problema interno da própria Frelimo, portanto é tarde demais para óbvias suposições vindas ainda por cima do Presidente da República. Do presidente e do resto do seu elenco, seja ele partidário ou governamental, o povo quer soluções ou acções que tendem a isso.

Os dizeres do Presidente, vistos numa perspectiva da sua grandeza, ecoam como confissão do seu envolvimento nos ataques de Cabo Delgado ainda que de forma indirecta, isto é, ainda que não tenha arquitectado o conflito mas que de algum modo o tenha causado. Ora vejamos, primeiro porque as elites são as figuras próximas ao Presidente, se não por si dirigidas, e se estas decidiram por alguma razão à revelia do presidente, perpetrar tais ideias macabras, existe ou existiu com certeza alguma rixa entre o líder e o seu elenco, segundo porque se o Presidente já está ao nível de apontar elites que lucram com a guerra tal como o fez, é então caso para se ter a certeza de que o populismo arruaceiro que aponta para existência de conflitos ou alas no seio da Frelimo é totalmente verídico, facto é que independentemente da envergadura de tal desentendimento, o povo não deve arcar com as consequências.

Senhor Presidente, junto aos recados da amnistia internacional, nós o convocamos a tomar uma postura que vá para além das análises teatrais a que se tem submetido, justificando a violação dos direitos humanos vividos nesta guerra, denunciando a existência de beneficiários desta mesma guerra, mas que comece a tomar medidas sensatas e eficazes porque Cabo Delgado encontra-se num estágio em que vale tudo para se garantir que é uma província moçambicana e que tal como as restantes dez é também dirigida por Filipe Nyusi. Aguardamos ansiosamente por soluções e agradecíamos que começasse mesmo por garantir que vidas humanas não são mais perdidas, que se removam as populações se for o caso, mas verdade é que perda de meio milhão de vidas, é um terrorismo estadual e, o senhor é que é o chefe do estado. (Douglas Madjila)

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