COVID-19: “Em Moçambique indústrias culturais e criativas acumulam prejuízos incalculáveis” Júlio Sitoe

COVID-19: “Em Moçambique indústrias culturais e criativas acumulam prejuízos incalculáveis” Júlio Sitoe

Face ao que se vive no mundo inteiro, Moçambique não sendo uma ilha, assistiu-se a tomada de várias medidas, para fazer face a propagação da pandemia do coronavírus, desde a quarentena obrigatória para viajantes, confinamento e até o lockdown para várias nações com maior destaque para China, Itália, Espanha e Reino Unido entre outros países, Moçambique decretou o estado de emergência a de 1 de Abril depois de registar o primeiro caso da Covid-19 a 22 de Março.
Em Moçambique como em muitos países do mundo, a pandemia paralisou tudo e todos. Com o estado de emergência decretado em Moçambique, uma das áreas mais afectadas é a indústria cultural e criativa onde acumula prejuízos incalculáveis porque nada tem acontecido esta tudo parado devido ao distanciamento social imposto que ditou ao enceramento casas de diversão e entretenimento e de lazer.
Para colher sensibilidade a quem faz acontecer e contribui com seu saber e investimento na área cultural a nossa reportagem conversou com Júlio Sitoe mais conhecido na praça cultural por “Tio Julinho” para falar sobre os impactos reais do Coronavírus na cultura este foi categórico ao dizer que “é um caso sério, pelo qual devemos todos nos preocupar e tomar medidas urgentes, visando impedir que se propague e instale um caos. Esta pandemia está a reduzir as oportunidades de trabalho dos artistas, promotores, revendedores de obras e casas de pastos. Temos de nos reinventar para fazer face ao contexto dramático que vivemos para a subsistência, com o risco de colapsarmos” alertou.
Questionado sobre os prejuízos que se tem acumulando em volta da situação actual Tio Julinho respondeu “há grandes prejuízos para indústrias culturais e criativas com o cancelamento de shows e adiamento de grandes festivais nacionais e internacionais, a título de exemplo Azgo, Zouk, carnavais, teatros, cinemas e até eventos de negócios como o CASP 2020-Mozambique Investiment Summit, no geral actividades que dependem da aglomeração de gente para sobreviver, onde os artistas são chamados a intervir as perdas são de bilhões de meticais. Sem estatísticas fiáveis no sector das Industrias Culturais e Criativas não é possível quantificar. Já não se pode contar com o dinheiro da bilheteira ou das vendas de produtos da restauração (comidas e bebidas). Os prejuízos vão desde profissionais técnicos dos palcos até uma vasta rede de fornecedores, freelancers, motoristas, protocolos, seguranças e ao ambulante que vende cerveja, cigarros e comidas na porta do show” lamentou.
Na altura em que o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou o estado de emergência que teria duração de 30 dias, justificou a medida com a necessidade de “proteger a vida de todos e cada um de nós” e no presente mês de Junho, decorre já o terceiro mês de estado de emergência e os números de casos não param de aumentar a cada dia, facto que preocupa da vez mais a saúde publica e os prejuízo que esta situação trás consigo.
Como solução, de entre várias iniciativas, tio Julinho é da opinião que “para o sector da cultura, propõe-se a criação de uma conta satélite a semelhança do sector do turismo, dada a vantagem que apresenta na medição da contribuição directa do sector nas contas nacionais, nomeadamente: o valor acrescentado bruto, o emprego e as exportações e importações. Igualmente deverá ser aprovada uma metodologia específica para cada ramo que compõe as indústrias culturais e criativas” apelou.

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