Em tempos de COVID-19: Enquanto os “Reintegrados” Governamentais e Parlamentares ficam mais ricos, o elevado custo de vida esvazia os bolsos do Povo, o “Patrão de Nyusi”

Em tempos de COVID-19: Enquanto os “Reintegrados” Governamentais e Parlamentares ficam mais ricos, o elevado custo de vida esvazia os bolsos do Povo, o “Patrão de Nyusi”

Num ano em que os trabalhadores moçambicanos viram os seus salários congelados em consequência do impacto negativo da pandemia da Covid-19 sobre a economia mundial, no geral e, sobre a economia moçambicana, em particular, o Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD) tem acompanhado com muita tristeza a “parceria” entre o Governo e a Assembleia de República para a aprovação do pagamento de subsídios de reintegração de ex-deputados e ex-ministros, num acto de total insensibilidade para com os milhões de moçambicanos que, por vivem em condições de extrema pobreza, tem dificuldades para garantir rendimentos mínimos para a sua sobrevivência e de seus dependentes.
Os dados sobre a evolução do índice de preços em Moçambique, para o mês de Abril, recentemente divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), mostram que, com a eclosão e propagação da Covid-19, nos temos acima descritos, o custo e vida está a deteriorar a já baixa capacidade e poder de compra dos moçambicanos comuns e, consequentemente piorando a sua qualidade de vida.
Com efeito, o gráfico abaixo mostra uma subida de 0.23 pontos percentuais (pp.) na inflação de abril, quando comparada com a observada no período homólogo de 2019. Com a mesma tendência de agravamento, verificou-se que entre Março e Abril de 2020, a inflação mensal acelerou de 0.22% para 0.52%.
Portanto, o poder de compra dos moçambicanos vem reduzido de forma acentuada e com uma tendência a acelerar, particularmente no último mês do período de análise. Infelizmente, conforme mostra a tabela abaixo, os produtos e serviços de primeira necessidade: produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (+0.54%), vestuário e calçado (+0.79%) e transporte (+1.28%), que coincidentemente são os mais procurados pela população de baixo rendimentos, estão entre os que ficaram mais caros.
Ainda, com referência a esta tabela, pode-se verificar que na prática, todos os produtos viram os seus preços agravados, com apenas três excepções: lazer, recreação e cultura (-0.07% na inflação mensal e -1.73 na inflação anual) e habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis (-2.75% na inflação anual).
Na conjuntura actual de crise económica, com destaque para a paralisação quase total do sector informal da economia, donde provem a maior parte do sustento das famílias de baixo rendimento, agravada pelas numerosas perdas de emprego e, considerando ainda a ausência de uma política económica para o financiamento à economia e implementação de programas de protecção social às famílias vulneráveis, esta subida de custo de vida pode pôr em risco a propensão das famílias de baixo rendimento para o cumprimento das ordens de confinamento doméstico.
Neste contexto, o CDD reitera a sua exigência ao Governo no sentido de este criar incentivos económicos, para aumentar o poder de compra famílias mais pobres de forma que estas possam suportar as medidas restritivas resultantes de uma eventual declaração do Estado de Emergência.
Especificamente, o Estado deve dar dinheiro às famílias mais pobres, uma espécie de “bolsa família”, para que as pessoas consigam comprar os produtos que precisam para a sua sobrevivência durante este período de restrições na actividade económica do país.
Tendo presente que a medida aqui proposta está longe de ser uma solução cabal para resolver este “drama” económico precipitado pela pandemia do novo coronavírus, o CDD considera que a distribuição de rendimentos entre as famílias mais pobres pode gerar incentivos para que as pessoas fiquem em casa durante o período de isolamento social e, desta forma, minimizar a propagação da covid-19. (CDD)

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